Meu eu intelectual - Eu, mulheres do século XII e a moda.
Heloísa, Isolda e outras damas no século XII (Georges Duby)
Cansadas de serem os meios para um final tão banal. O que era o amor cortês na Idade Média senão um jogo de poder? A mulher, como peça essencial do jogo, enaltecida apenas como meio, cortejada por cavalheiros motivados por um fim extremamente individual.
MODA, CULTURA E IDENTIDADE – Lili
Cansadas de serem os meios para um final tão banal. O que era o amor cortês na Idade Média senão um jogo de poder? A mulher, como peça essencial do jogo, enaltecida apenas como meio, cortejada por cavalheiros motivados por um fim extremamente individual.
O filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) fundamentou os Imperativos Categóricos, entre eles, o Prático, que determina que o indivíduo aja “de tal modo que possas usar a humanidade, tanto em tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre como um fim ao mesmo tempo e nunca apenas como um meio”. Partindo desse princípio, questiona-se a moral do amor cortês, uma vez que o cavalheiro cortejava a mulher do seu senhor, não pela mulher como fim – ela era do seu senhor, a princípio, então, seria imoral – mas como meio de buscar poder e moral ao lado se seu senhor.
Mas por que as mulheres eram tão passivas quanto a isso? Talvez isso não fosse exatamente um problema. Alvos de lindas canções e poemas, atitudes e gentilezas amaciando seus egos. Esse era o sistema, e não havia motivo para ser diferente, estava confortável.
Entretanto, não se pode concluir que não há resquícios desta prática nos dias de hoje. Não apenas nos relacionamentos homem-mulher, mas são raras as gentilezas não motivadas por intenções pessoais. Por que é tão difícil pensar no outro apenas como fim? A ideia de poder e dinheiro nos atrai, mesmo que para isso seja necessário cortejar as mulheres de nosso senhor.
Questionar nossos valores herdados pode nos fazer reconsiderar nossas motivações e objetivos finais… são mulheres, Heloísas e Isoldas, pessoas, e não nos dão o mínimo direito de fazer-lhas meio para nossos fins reprováveis.
